
Janet Ho, chefe de política da Chainalysis na Europa, acredita que as regulamentações desenvolvidas para regular as criptomoedas na região, MiCA, fortalecerão a relação entre os criptoativos e os bancos tradicionais.
A Lei MiCA (Markets in Crypto Assets), a primeira regulamentação abrangente para regular a indústria de criptomoedas na Europa, aumentará a interação entre os bancos e a indústria de criptomoedas. A afirmação foi da chefe de política da Chainalysis para o continente europeu, Janet Ho, durante seu discurso na Paris Blockchain Week 2023, realizada esta semana na capital francesa.
Segundo Ho, com a implementação da lei MiCA, a Europa poderá construir um ambiente regulamentado para a indústria de criptomoedas e ser percebida pelas empresas do setor como uma jurisdição responsável pelo seu desenvolvimento.
Prevê-se que o MiCA entre em vigor em 2024. Este projeto de lei foi aprovado no final do ano passado pela Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu. A votação final do MiCA ocorrerá no dia 19 de abril deste ano.
MiCA, criptomoedas e bancos
A lei MiCA estabelecerá as diretrizes e condições para o desenvolvimento da indústria criptográfica na Europa. O MiCA é composto por mais de uma centena de artigos que abordam desde a regulação e fiscalização do mercado de criptomoedas até as regulamentações pelas quais as empresas e negócios relacionados a este setor devem ser regidos.
O objetivo deste projeto de lei é abordar as preocupações existentes sobre o uso de criptomoedas, a fim de mitigar riscos potenciais de lavagem de dinheiro e outras atividades ilícitas. Mas, além disso, como observou Ho, o MiCA também incentivará o desenvolvimento da indústria criptográfica na Europa.
Esta lei proporcionará maior clareza regulatória à indústria criptográfica, aumentando assim a atratividade da região ao impulsionar a entrada de novos investidores e até mesmo investidores institucionais no espaço criptográfico. Instituições e empresas, como os bancos tradicionais, poderão interagir com criptomoedas com maior nível de confiança, fortalecendo novos laços e aproveitando os benefícios do setor.
Além de Ho, o diretor de estratégia e política da Circle para a União Europeia, Patrick Hansen, também espera que os principais bancos da região comecem a implementar serviços de criptoativos assim que a lei MiCA entrar em vigor.
Hansen enfatizou que nos próximos 48 meses, Os bancos europeus oferecerão diferentes serviços de criptomoeda, “seja custódia, troca ou emissão de tokens de dinheiro eletrônico ou tokens referenciados a ativos, coloquialmente conhecidos como stablecoins”.
O impacto do MiCA no mercado europeu
Até agora, muitos países da União Europeia não possuem qualquer regulamentação aplicável à indústria de criptomoedas, enquanto outros implementam requisitos KYC/AML ou possuem regimes de licenciamento dedicados, observou Hansen. O complicado ambiente regulatório na região impediu o crescimento de muitas empresas europeias emergentes ou, na sua falta, levou-as a realizar intermináveis procedimentos e exigências em busca da aprovação de cada regulador nacional.
No entanto, a lei MiCA ajudará a harmonizar o ambiente regulamentar para a indústria criptográfica, tornando-a mais atractiva e proactiva.
Hansen observou que a actual incerteza regulamentar impede muitas instituições de entrar no ecossistema, mas que uma maior clareza jurídica servirá para aumentar a competitividade e a quota de mercado das empresas reguladas.
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