
Os legisladores chilenos estão pressionando pela criação de uma reserva estratégica de Bitcoin, mas o Banco Central do país se opõe à ideia. Se a iniciativa for aprovada, o Chile poderá constituir um marco na economia latino-americana.
Numa medida que poderá redefinir o futuro económico do Chile, um grupo de legisladores está a pressionar pela criação de uma reserva estratégica de Bitcoin como parte das reservas nacionais do país.
A iniciativa, apoiada por figuras importantes como Dennis Porter, CEO do Satoshi Act Fund, e Simon Collins, CEO da Stackr, gerou um intenso debate entre aqueles que veem o Bitcoin como uma oportunidade para diversificar a economia e aqueles, como o Central Banco do Chile, alerta sobre os riscos da adoção de ativos digitais.
Legisladores chilenos pressionam pela adoção soberana do Bitcoin
A proposta de criação de uma reserva estratégica de Bitcoin no Chile não é nova, mas recentemente ganhou força graças ao trabalho de Andrés Villagrán, defensor da adoção do Bitcoin e representante do setor de mineração local. Villagrán manteve reuniões com mais de 20 parlamentares e autoridades governamentais, incluindo o deputado Andrés Giordano e o deputado Juan Santana, ambos próximos do presidente Gabriel Boric.
Em novembro de 2024, Villagrán e sua equipe apresentaram formalmente a ideia de uma reserva estratégica de Bitcoin aos representantes do governo. A proposta incluiu estudos de caso bem-sucedidos de adoção do Bitcoin em estados dos EUA como Texas, Ohio e Pensilvânia, onde Dennis Porter liderou esforços semelhantes para incorporar a criptomoeda em nível estadual.
“Tive reuniões com mais de 20 parlamentares e vários ministros explicando os benefícios do Bitcoin para o Chile e seu povo”, dito Villagrán, recentemente. “O Bitcoin não é apenas uma ferramenta para diversificar as nossas reservas, mas também uma forma de proteger a nossa economia contra a volatilidade global.”
Os esforços que Villagrán liderou para integrar o Bitcoin na economia chilena lhe renderam o reconhecimento de figuras-chave do setor, como Daniel Batten, que compartilhou em X seu entusiasmo com esta iniciativa.

Endosso de Dennis Porter e Simon Collins
Dennis Porter, reconhecido por seu trabalho na promoção de legislação favorável ao Bitcoin nos Estados Unidos, tem sido um aliado fundamental nesta iniciativa. Por meio do Satoshi Act Fund, Porter apresentou mais de 30 projetos de lei relacionados à criptomoeda e aconselhou os governos locais sobre como integrar o Bitcoin em suas estratégias econômicas.
Por sua vez, Simon Collins, CEO da Stackr, contribuiu com sua experiência na mineração sustentável de Bitcoin e na criação de políticas públicas que incentivem a adoção desta criptomoeda. Juntos, Porter e Collins forneceram aos legisladores chilenos dados empíricos e ferramentas para justificar a viabilidade da criação de uma reserva estratégica de Bitcoin para o país.
Villagrán comentou que conheceu Porter e Collins em meados de 2024 e que estabeleceu uma colaboração com ambos para apresentar sua proposta de forma sólida e fundamentada.
A criação do “Banco Bitcoin”
Um dos avanços mais significativos neste processo foi a proposta do Deputado Gael Yeomans, membro da Convergência Social, para criar um “Banco Bitcoin”. Este grupo parlamentar teria como objetivo estudar a legislação internacional sobre Bitcoin, elaborar projetos de lei e melhorar a formulação de políticas públicas relacionadas à criptomoeda.
Villagrán apoiou esta iniciativa, sugerindo que o Bitcoin Caucus deveria incluir representantes de vários setores políticos, uma vez que o Bitcoin não é uma questão partidária, mas sim uma ferramenta que pode beneficiar todo o país.
No entanto, apesar do entusiasmo dos legisladores, a proposta de adoção do Bitcoin em nível soberano enfrenta forte resistência do Banco Central do Chile. Em dezembro, a entidade emitiu comunicado descartando a possibilidade de inclusão da criptomoeda nas reservas nacionais do país, argumentando que o BTC não atende aos critérios de segurança, liquidez e qualidade estabelecidos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
“O objetivo das reservas internacionais é manter a estabilidade económica e financeira face a choques externos adversos”, explicou o Banco Central. “Bitcoin e outros ativos criptográficos não atendem aos critérios legais para serem utilizados nos investimentos do Banco Central do Chile.”
Além disso, o Banco Central destacou a alta volatilidade do Bitcoin como um risco significativo. “A natureza flutuante desta criptomoeda a torna incompatível com os objetivos de estabilidade que buscamos”, acrescentou a agência.
América Latina lidera a adoção soberana de criptomoedas
Apesar da oposição do Banco Central, Villagrán e sua equipe continuam otimistas. Eles pretendem apresentar a proposta ao Ministério da Fazenda, senadores e deputados ao longo deste ano, na esperança de gerar um debate mais amplo sobre o tema.
Se o Chile aprovasse esta iniciativa, se tornaria um dos primeiros países do mundo a adotar o Bitcoin como reserva nacional, marcando um marco na economia latino-americana. Além disso, abriria um precedente para outros países da região que estão explorando formas de diversificar suas reservas e se proteger da volatilidade global com esta criptomoeda, como o Brasil.
Atualmente, os legisladores brasileiros estão debatendo um projeto de lei, o proposta 2471228, que busca alocar parte significativa das reservas em moeda nacional ao Bitcoin.
A apresentação desta proposta no Brasil e a iniciativa promovida pelos legisladores chilenos refletem uma tendência crescente em uma América Latina que está cada vez mais interessada em explorar as vantagens das criptomoedas como ferramentas de diversificação econômica.


