O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirma que o combate aos ataques de ransomware pode levar a nação norte-americana e a Rússia a assinarem um acordo bilateral para segurança cibernética.
La Cimeira EUA-Rússia, realizada nesta quarta-feira em Genebra (Suíça), reuniu o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden e ao presidente da Rússia, Vladimir Putin. Os líderes reuniram-se durante mais de 4 horas para abordar diversos assuntos e minimizar as tensões que existem atualmente entre as duas nações. Um dos temas principais desta cimeira foi cibersegurança e o ransomware.
Joe Biden falou sobre os seus esforços para controlar os ataques cibernéticos que tanto assolaram a nação norte-americana nas últimas semanas. O presidente dos Estados Unidos preparou um plano de trabalho que visa reduzir a incidência destes ataques e responsabilizar os países onde operam os grupos de hackers. Para o presidente norte-americano, é necessário que os países tomem medidas contra grupos cibercriminosos que desenvolvem as suas atividades dentro dos seus territórios.
Biden esclareceu que as suas intenções não são criar um conflito com a Rússia, mas que tomará medidas contra atividades ilícitas que prejudiquem os interesses da sua nação. Por sua vez, o presidente russo destacou que ambos os países têm responsabilidade na questão da segurança cibernética, por isso devem começar a aprofundar-se nas obrigações que cada um deve assumir.
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Caminho para um acordo bilateral de segurança cibernética
Embora ainda não esteja sobre a mesa um tratado bilateral, parece que ambas as nações caminham para um possível acordo. Tanto Biden como Putin reconheceram a importância de trabalhar de forma coordenada para minimizar os ataques de ransomware.
De acordo com a revisão CNNPutin reconheceu que os Estados Unidos sofreram um maior número de ataques cibernéticos este ano, e de maior importância, mas que a Rússia também viu vários dos seus sistemas afetados por este problema.
“Encontramos isso todos os anos. Por exemplo, um dos sistemas de saúde numa parte muito importante da Rússia foi atacado.", afirmou Putin, que continuou dizendo que ambos os países devem ter as suas equipas de especialistas para minimizar as suas tensões e resolver este problema de forma eficiente. O presidente garantiu que a nação russa está preparada para trabalhar em equipe.
Por sua vez, Joe Biden deu a entender que os Estados Unidos poderiam chegar a um acordo com a Rússia e afirmou que terá uma equipa de especialistas para colaborar com a nação na investigação de ataques de ransomware. Biden disse que é possível que, dentro de 6 a 12 meses, os Estados Unidos e a Rússia assinem um acordo de segurança cibernética que começará a “colocar alguma ordem”.
Durante a cimeira, os líderes informaram que irão restaurar as operações do seu corpo diplomático. Neste sentido, Putin também manifestou que os embaixadores dos Estados Unidos e da Rússia retomarão os seus cargos e funções.
Ransomware, um problema crescente
No ano passado, os ataques de ransomware tornaram-se significativamente populares e difundidos. Há apenas algumas semanas, duas grandes empresas americanas foram vítimas de sequestro cibernético e extorsão típicos desses ataques.
Oleoduto Colonial, a maior empresa de oleodutos dos Estados Unidos, sofreu uma invasão em seus sistemas que deixou parte de suas instalações inoperantes por quase uma semana. Os responsáveis pelo ataque foram os hackers do grupo Lado escuro, que solicitou uma recompensa de US$ 4,4 milhões em criptomoeda. Após uma semana de inoperabilidade, a empresa foi obrigada a pagar o resgate para que os hackers restaurassem seus serviços.
José Blount, CEO da Colonial Pipeline, disse ao Wall Street Journal que não ficou entusiasmado por ter pago o resgate aos hackers, mas que o fez para o bem da população e dos seus clientes.
“Admito que não me senti confortável vendo dinheiro saindo pela porta para pessoas assim.”
Por sua parte, o JBSA , empresa brasileira com grande presença nos Estados Unidos, também foi vítima de um ataque cibernético que a obrigou a pagar US$ 11 milhões a hackers. André Nogueira, diretor-geral da JBS nos Estados Unidos, afirmou que pagar o resgate foi uma decisão muito difícil de ser tomada, tanto para ele quanto para o frigorífico.
JBS viu seus sistemas serem interrompidos por ataque de ransomware realizado pelo grupo REVIL, que se acredita operar na Rússia. Nogueira revelou que a empresa já havia restabelecido as operações no momento do pagamento do resgate, mas que teve que pagá-lo de qualquer maneira para garantir que o grupo não volte a atacar no futuro.
Ambas as situações alimentaram ainda mais a decisão do presidente americano de criar um plano de trabalho imediato para ajudar a proteger a nação destes ataques.
O G7 e sua luta contra o ransomware
Além disso, o G7, formada pelas maiores economias do mundo (Estados Unidos, Alemanha, Canadá, França, Itália, Japão e Reino Unido) também está tomando medidas para combater ataques de ransomware. O grupo de países priorizou a segurança cibernética em sua agenda.
No início desta semana, o G7 apresentou um documento onde expressam que começarão a tomar medidas contra a corrupção e o ransomware. O grupo liderado por Biden concordou com um conjunto de ações concretas para combater as ameaças de ransomware e ataques cibernéticos e para responsabilizar as nações “permissivas” que permitem a operação de grupos de hackers.
A luta contra o ransomware tornou-se uma prioridade para a segurança das nações, uma vez que os hackers não estão apenas a sequestrar informações privadas, mas também a ameaçar torná-las de domínio público. No final de maio, Polícia de Washington DC Nos Estados Unidos, ele negociava com um grupo de hackers para evitar que parte de seu banco de dados sequestrado, com informações altamente confidenciais de agentes e informantes, fosse publicada na Internet.
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